Corupá Extreme Marathon 2016: o relato de quem correu
Aconteceu no dia 27 de fevereiro de 2016 a Corupá Extreme Marathon, etapa do Brazil Mountain Festival disputada em três distâncias — 12K, 23K e 50K — com a presença de alguns dos maiores nomes do trail running brasileiro. O relato a seguir é de Raphael Bonatto, um dos fundadores da TRC Brasil, que correu os 23K e terminou em 11º lugar, em 2h40.
Da véspera quente à largada no vale
A comitiva saiu de Curitiba na sexta-feira, véspera da competição, rumo a Corupá, quase 200 quilômetros distante. A cidade fica num vale: as temperaturas são altas no verão e a umidade relativa do ar lembra a Amazônia. A entrega de kits e a conferência técnica aconteceram no Seminário, prédio antigo e imponente onde parte dos atletas pernoitou — dormindo no corredor, atrás de qualquer brisa que aliviasse o calor.
Perto das 6h da manhã, os atletas dos 50K já haviam deixado o alojamento. A largada dos 23K foi às 8h, com as temperaturas do vale já elevadas. Os dois primeiros quilômetros, de paralelepípedo e asfalto, foram fechados em ritmo de 3min32s e 3min35s por quilômetro — forte demais para quem planejava economizar nas trilhas, e o calor provocou a primeira desistência ainda no quinto quilômetro.

Trilhas fechadas, cordas e lama
Do km 8 em diante, o percurso entrou nas trilhas fechadas e íngremes da mata de Corupá, selvagem, com pontos em que a subida exigia o auxílio de cordas. No km 10, uma descida forte e íngreme separou os pelotões. Foi ali que a falta de técnica em descidas — e o medo de forçar um joelho em recuperação de lesão — cobrou seu preço de vários atletas.
O km 17 guardava um dos pontos mais comentados da prova: uma fonte com chuveiro improvisado, onde os staffs recebiam os corredores com orientação e até refrigerante gelado. Bonatto, que havia perdido uma das garrafas de água numa queda, saiu de lá revigorado para o trecho final.
O asfalto que quebrou os melhores
Depois de trechos de lama acima da canela, o percurso desaguou nos quatro quilômetros finais de asfalto até o centro da cidade. Conversando com os atletas depois da chegada, a constatação era unânime: absolutamente todos "quebraram" naquele trecho. O calor, a umidade e o piso duro formaram a mistura perfeita para o sofrimento de alguns dos melhores corredores do país.
Na avaliação de Bonatto, a prova exigiu um atleta completo: rápido para manter velocidade no início, forte e técnico para administrar as subidas, descidas e a lama do miolo, e resistente para voar baixo no asfalto quente do final. Atletas dos 50K foram unânimes em classificar a etapa como uma verdadeira corrida de montanha.
| Distância | Perfil do percurso | Desafio principal |
|---|---|---|
| 12K | Trilhas e estradas de chão | Ritmo forte sob calor intenso |
| 23K | Trilhas fechadas, cordas, lama e 4 km finais de asfalto | Gestão de água e técnica de descida |
| 50K | Ultradistância no vale de Corupá | Calor, umidade e autonomia prolongada |
Um detalhe curioso ficou do kit do atleta, considerado enxuto para o valor da inscrição. A resposta da organização veio na execução: staffs atentos, marcação impecável, segurança em todos os pontos críticos. Para quem correu, a conta fechou — prova de nível técnico alto vale mais do que brinde.

